
O grupo Parlapatões segue em cartaz no Sesc Bom Retiro com Arlequim, Servidor de Dois Patrões, espetáculo inédito que marca os 35 anos da companhia. A temporada de estreia vai até 15 de novembro, às sextas, sábados e domingos, no teatro da unidade, na Alameda Nothmann.
A montagem, com direção de Hugo Possolo, é uma releitura cheia de brasilidades do clássico de Carlo Goldoni. O texto conta a história do astuto Arlequim que, para conseguir um prato de comida, passa o tempo todo se dividindo entre as ordens de dois patrões. Aqui, o riso vira ferramenta de reflexão e provoca um olhar crítico sobre as desigualdades sociais e a fome.
A peça se inspira na Commedia dell'Arte, mas não exatamente em sua estrutura histórica formal. Ficam o improviso e a ideia do arquétipo, misturados a uma visão contemporânea e brasileira, tanto na narrativa quanto na estética.
Sem sair da época e do local da trama original, os Parlapatões usam a palhaçaria para encenar uma aventura lúdica e cômica, com elementos da cultura popular brasileira, acrobacias e música, incluindo composições originais de Alexandre Dalóia. Em cena, as máscaras dão lugar à maquiagem, e a renda e o bordado dão espaço ao fuxico e a cores vibrantes, num clima festivo e circense.
As referências à cultura do país aparecem no cenário, no figurino e na narrativa, com objetos populares, religiosos, artes visuais e pontos turísticos.
Hugo Possolo vive o protagonista. O elenco tradicional do grupo, com Alexandre Bamba, Camila Turim, Henrique Stroeter e Tadeu Pinheiro, ganha o reforço dos convidados Rachel Ripani, Jéssica Turbiani e Robert Gomez.
"Escolhemos essa peça porque ela é celebrativa, popular e porque trata de um tema que parece que as pessoas abandonaram: que é a fome. O teatro é político e é completamente brincalhão, sem ficar na lamúria, mas valorizando o que a pobreza tem de inteligência para sobreviver, que é a principal característica do Arlequim", explica Hugo Possolo.
Para ele, a temporada é também uma forma de dividir com o público a essência da linguagem que costura a história do grupo.
"Para nós, uma comemoração em grande estilo é dividir com o público a essência da linguagem que costura toda a nossa história: a arte da palhaçaria. E nos juntamos ainda às comemorações de 80 anos do Sesc. É um prato cheio, com e sem trocadilhos, para a comicidade que sempre buscamos, a de um riso transformador", diz Possolo.
Fundado em 1991, o Parlapatões chega aos 35 anos com 71 espetáculos produzidos, além de mostras, eventos e festivais. O grupo tem como marca a palhaçaria e o teatro de rua e popular. O Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, no centro da capital, completa 20 anos de atividades.
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